Aqui é o meu local onde tiro aqueles macacos mais verdinhos que temos dentro do nosso nariz e nos meus mais tenebrosos pensamentos! outros fazem-no no transito, outros a ver tv, outros ainda a fazer nao sei o que, outros na Assembeleia da Republica e eu vou tirar os meus Macaquinhos do Sótão mesmo aqui! Porque no fundo no fundo...todos nos temos Macaquinhos no Sótão!
quinta-feira, 11 de julho de 2013
domingo, 16 de junho de 2013
cedro
Era aquele o sítio. O cedro, o velho cedro, retorcia-se com
o vento que vinha das escarpas, do vento que se erguia constante do mar,
vergastando-o, açoitando-o, vergando-o contra o chão e mesmo assim ali estava
ele, robusto, vivendo, agachado, ultrajado, mas sobrevivendo.Foi a esse cedro que ele atou a fita que trazia fazia tanto tempo dentro do seu bolso. Era aquele o local, era aquele o momento. Na fita tinha escrito tudo aquilo que estava por dizer, todos os segredos, todos os desejos, todos os sonhos…sim, em especial os sonhos que se alinhavam em cada ponto da pequena fita que ficou a agitar-se ao vento sul.
Esperou que fosse o vento a leva-la, um dia, para longe e assim esperou que ficasse mais leve, quis acreditar que assim…deixou no cedro, de fronte para o mar, naquele ponto final, onde a terra acaba e o mar…e o vasto mar começa…
terça-feira, 11 de junho de 2013
Segredo
Sabes que eu já pensei que gostei de ti?! E ainda hoje não sei bem, passados tantos dias, semanas e tantos
momentos, ainda não percebi se gostei ou se gosto de ti!
Sei que encontro paz junto de ti, que me consegues acalmar,
que não deixo de sorrir e de sentir melhor perto de ti! Sei que gosto de sentir
o calor dos teus braços que me abraçam, do jeito como que me apertas contra ti…
Sei o que me dói, como fico, quando te vejo partir, o vazio
que fica ao meu lado quando te despedes, nem que seja num breve até já, dás-me saudades,
aperta-me o peito, a angustia sobe à garganta e me sinto cheio daquele ardor,
do desejo de te ter de novo perto de mim, para sentir o teu cheiro, ouvir a tua
voz, olhar no teu olhar, afagar docemente a tua mão por entre os meus dedos, a
festa que te fiz no rosto duas ou três vezes enquanto dormias…
E continuou sem saber o que é isto, continuo sem saber se
lhe devo de apelidar de amor, porque o seu somatório não é somente uma operação
aritmética simples, e tu, como eu, colocamos todas as nossas variáveis,
internas ou externas, e são essas que medeiam todas as nossas relações…
Talvez nunca me percebas…assim como eu nunca te irei
perceber…mas sei que estaremos sentados naquele banco, frente ao mar, enquanto
o sol se poe, e enquanto de mim se apodera o terror, que ma faz tremer as
pernas fraquejarem e tu…tu finalmente pegaras na minha mão com a tua bruta
delicadeza, irás apertar os meus dedos por entre os teus, vais olhar para mim,
olhos nos olhos como até então nunca tinhas olhado e irás ver esse terror como
um reflexo desse sol rubro no meu olhar húmido. Sorriras para mim e por fim
dirás: Não tens que ter medo, não tremas, não temas, liberta-te desse terror…porque
eu estou, como sempre estive aqui, mesmo quando não sentiste, mesmo quando tu
procuravas o meu mundo e encontravas as sombras frias, quando procuravas o meu consolo
nos teus sonhos e não vendo que eu estava aqui, que nunca estive longe e agora
tens em ti a minha paz…
sexta-feira, 7 de junho de 2013
A pergunta que faltava ser feita....
....e depois de ouvir tudo o que lhe tinha dito, olhou para mim, bateu com a mão sobre o balcão e disse:
- Tu amas-lo!
e a voz não saiu, pois aquilo era uma afirmação...e o silencio ficou, e a mente contraiu-se violentamente, e teve que fugir para nao ser atropelado pelo que afinal parecia ser a realidade...
No fim aquelas palavras ficaram a bater durante toda a noite...
- TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!
E já não sabia o que era verdade, se aquilo era verdade ou somente uma ilusão, mas o peito apertou-se, o coração sentiu-se esmagado e pequeno, e desenhou com um pedaço de giz um quadrado e ali dentro, sozinho, estava protegido....mas não esquecia aquelas palavras....TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!
- Tu amas-lo!
e a voz não saiu, pois aquilo era uma afirmação...e o silencio ficou, e a mente contraiu-se violentamente, e teve que fugir para nao ser atropelado pelo que afinal parecia ser a realidade...
No fim aquelas palavras ficaram a bater durante toda a noite...
- TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!
E já não sabia o que era verdade, se aquilo era verdade ou somente uma ilusão, mas o peito apertou-se, o coração sentiu-se esmagado e pequeno, e desenhou com um pedaço de giz um quadrado e ali dentro, sozinho, estava protegido....mas não esquecia aquelas palavras....TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!TU AMAS-LO!!!
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Saudade
Ele sentava-se a sua frente, ali fazia horas e mesmo assim
as palavras que lhe disse não era estranhas:
«tenho saudades tuas»- dito num tom contido, olhando o tampo da mesa.
«saudades de mim? Mas eu estou aqui! Estamos aqui a horas,
estou contigo tudo o tempo que conseguimos estar …e tu dizes que tens
saudades?!»
Levantando o olhar, fitando-o nos olhos, com raiva,
libertando aquilo que tinha dentro do coração e tudo aquilo que ficava algures
preso dentro de si.
«Mesmo tu estando aqui à minhas frente…eu não poderia ter
mais saudades de ti!» e as lágrimas, finalmente, escorria …
sábado, 1 de junho de 2013
Espistola
Escrevo-te a ti, meu futuro, aqui algures do teu passado
deixo-te esta carta. É cheio de esperança que te escrevo, porque sei que estas
bem, que afinal tudo correu bem. Sei que encontraste a felicidade, a tua
felicidade, aquela que eu não tive a capacidade de encontrar mas que tu
conseguiste.
Olho em redor e vejo as ruínas que te deixei, as construções
mal-amanhadas, tortas, as ruínas e as fundações mal feitas, tudo aquilo que te
deixei no meio deste terreno e que tu, pegando no que valia a pena, derrubando
as paredes tortas, construindo, reforçando, projectando de modo eficaz
conseguiste fazer uma das mais belas construções que alguma vez alguém poderia
idealizar. Quem havia de dizer que partiu tudo daqui!
E como verdes e frondosas estão as veredas pelo meio dos
jardins, onde havia capim e ervas daninhas, até dá gosto ver como dão frutos as
macieiras, como as cerejeiras se vergam carregadas de pequenos e carnudos bagos
de vida doce!
Conta-me, já gostas do por do sol, não gostas? Por certo que
sim! Finalmente alguém te mostrou a beleza daquele momento, e diz-me: mostraste
como belo é aquele momento em que o sol já se pôs e o céu esta purpura, anil,
roxo e a estrela da tarde começa a brilhar tímida mas convicta sobre ti?
Manténs os velhos hábitos? Ainda vagueias a horas mortas
pelas ruas vazias? Não…não creio que o faças sozinho, continuas a faze-lo, mas
já não o fazes sozinho como outrora fizemos e as ruas já não são tao despidas,
e as ruas assim já não são tao frias! Gosto de o saber, alivia-me e consigo
esboçar um largo e franco sorriso por ti!
Posso ver que afinal as coisas que fiz, mesmo as mais
erradas, mesmo as piores, mesmo aquelas que pensavam serem potenciadoras de
destruição foram somente ensinamentos, experiencia de crescer…Sabia que iria
valer a pena, afinal eu estou aqui hoje e tu estas amanhã, afinal eu sou o teu
passado e tu o meu futuro!
Espero um dia receber esta mesma carta, amanhã, do nosso
futuro, afinal é esse o destinatário!
O teu Pretérito….
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